Freud as usava como ferramentas para lidar com patologias psicológicas. Jung descobrira que cada palavra continha uma carga emocional, gerando alguns comportamentos. Sim as palavras geram ações, e para ficar no nosso mundo corporativo, geram ,por exemplo, comportamentos de compra, vide o uso do SEO (Search Engine Optimization), e recentemente, o GEO (Generative Engine Optimization) que se espraiam pela WEB.
Só que quantos de nós, gestores, temos a competência fazer mágica com as palavras ?
Não que eu seja pessimista, mas o que tenho mais encontrado é o oposto, uma feitiçaria contra si proprio, principalmente ao se comunicar com a própria equipe.
Lógico que este assunto dá pano para manga, mas desejo torná-lo simples aqui. Levando em conta dois estágios de incompetência com as palavras.
Estágio 1: Me faltam palavras…
A sensação você conhece ao levar o veiculo no mecanico e lhe ocorrem palavras para descrever o problema.
Se você tiver sorte, o mecanico pode fazer perguntas simples (sem usar jargão técnico) e ao mesmo tempo profundas. Mas se tiver azar, o mecânico é um ser lacônico e sem paciência. Como se você estivesse atrapalhando o seu trabalho.
Este é o estagio da incompetência com palavras. Algo que não pode mais ocorrer, algo anacrônico, fora do tempo. simplesmente porque temos acesso a tanta informação com o uso da IA, Youtube, redes sociais
Trata-se deum exemplo banal que nos causa pouco prejuizo, mas o próximo estágio é mais sutil e traza mais problemas.
Estágio 2: Afinal do que estamos falando?
A expressão cultura organizacional, já passou da fase hype há muito tempo e se tornou corriqueira. Vazias , e muitas vezes, repetidas a torto e direito.
Se você fizerem uma enquete (como fiz tantas vezes em sala de aula) sobre o que ela pode significar, certamente teremos uma dessas respostas. ACOMPANHADA SIM DE CONSEQUÊNCIAS:
- “O jeito como fazemos as coisas aqui” A consequências prática é que mesmo existindo uma política de segurança, os funcionários evitam comunicar erros porque quem erra costuma ser punido
- Os valores que orientam a organização” A consequências é que a empresa afirma valorizar o bem-estar e inclui esse compromisso em seus códigos, treinamentos e comunicações
- A experiência de trabalhar neste lugar Os trabalhadores, como consequência, percebem que podem discordar do gestor, pedir ajuda e comunicar riscos sem medo de retaliação
Já deu para imaginar a barafunda que causa essa expressão em vários locais, com pessoas diversas, circunstâncias outras, SEM USAR O DEVIDO RIGOR.
Não é a toa quando início uma aula de pós-graduação, a primeira coisa que me preocupo é definir os conceitos básicos que vamos trabalhar. Assim já saimos todos da mesmo ponto de largada.
Minha Sugestão
Imprescindível num dialogo com sua equipe, de cara definir o que significa algumas palavras importantes da conversa.
Não há mais desculpa para anafalbetismo funcional nas nossa empresas. Algo até desculpável para cargos operacionais, mas difícil de aceitar para cargos de gestão. Pesquisa e letramento são fundametais.
Os riscos psicossociais envolvidos na NR-1 estão justamente situados num local onde o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Qualquer palavrinha pronunciada sem pensar, com ambiguidades, com potencial para ser mal interpretada, e assim podendo ser usada contra você.
Está aqui um bonus para exercitar essas ideias debatidas acima.
Glossário da NR-1 — 10 conceitos fundamentais
1. NR-1
Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais sobre Segurança e Saúde no Trabalho e orienta o gerenciamento dos riscos ocupacionais nas organizações.
2. GRO — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
Processo contínuo de identificar perigos, avaliar e classificar riscos, implementar medidas preventivas e acompanhar seus resultados.
3. PGR — Programa de Gerenciamento de Riscos
Forma documental pela qual a organização implementa o GRO. Deve conter, no mínimo, o Inventário de Riscos Ocupacionais e o Plano de Ação.
4. Perigo ocupacional
Fonte, situação ou circunstância com potencial de causar lesão ou agravo à saúde. Exemplo: uma máquina sem proteção, uma substância tóxica ou uma organização do trabalho marcada por sobrecarga.
5. Risco ocupacional
Combinação entre a probabilidade de ocorrer uma lesão ou agravo e a severidade de suas consequências. O perigo é a fonte do dano; o risco representa a possibilidade e a gravidade desse dano.
6. Identificação de perigos
Etapa destinada a descrever os perigos, suas fontes, as possíveis consequências para a saúde e os grupos de trabalhadores que podem estar expostos.
7. Avaliação e classificação dos riscos
Análise que determina o nível de cada risco, combinando probabilidade e severidade. A classificação ajuda a definir prioridades e medidas de prevenção.
8. Inventário de Riscos Ocupacionais
Documento que consolida os perigos identificados, trabalhadores expostos, possíveis danos, medidas existentes, características da exposição e classificação dos riscos. Deve permanecer atualizado.
9. Plano de Ação
Documento que apresenta as medidas de prevenção que serão implementadas, aprimoradas ou mantidas. Deve indicar cronograma, responsáveis, acompanhamento e avaliação dos resultados.
10. Fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho
Condições ligadas à concepção, organização e gestão do trabalho que podem prejudicar a saúde física, psicológica ou social, como sobrecarga, assédio, baixa autonomia, conflitos de papéis e falta de apoio. A avaliação deve examinar as condições de trabalho, e não diagnosticar individualmente os trabalhadores.
Uma distinção central da NR-1 é:
Perigo: aquilo que pode causar dano. Risco: a probabilidade e a gravidade de esse dano acontecer.
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